domingo, 9 de fevereiro de 2020

CAMPANHA: O AMANHECER VISCERAL - INTRODUÇÃO

"Os tempos mais difíceis vieram, 
o apocalipse não foi exatamente como falaram, 
Não presenciamos a Gigante Batalha, 
não vimos nada a respeito do Dragão ou da Aranha. 
Nem todos morreram, 
mas os que sobraram 
não tem tanta certeza assim, 
se é isso mesmo o que eles queriam.”

            Antes, as trevas eram um convite irrecusável ao horror e ao terror, hoje trevas é apenas desolação. Um fim de esperança por completo por não ter mais por quem ou pelo o quê lutar.

            Sem um aparente Norte, os Garou vagam nessa terra, desolados como cristãos que não foram para tão sonhada terra prometida.

            Quase todos os contatos com os totens simplesmente sumiram como alguém que desliga uma ligação na cara dos outros, sem informações completas ou rastros. Os que possuem ainda uma conexão se recusam cooperar e o fazem de propósito como uma punição.

            O Harano dificulta qualquer ação "sobrenatural" e muitos, há meses, "perderam o lobo".

            Gnose não se recupera/encontra com a mesma "facilidade" de anos, o que já era difícil, ficou impossível e a tão essencial fúria Garou pode ser comparada a um mísero dia de fúria como o de Michael Douglas.

            Após o banho de sangue que foram as ruas, poucos sanguessugas sobraram, e em se tratando de banho de sangue, os que sobraram ficaram mais poderosos, e em se tratando de poderosos, apenas poder é o que importa.

            Do "grosso" véu que havia antes do "apocalipse", o que temos hoje é um fino, transparente esburacado tecido que separa o frenesi humano (e seus vários níveis) da possibilidade de se defrontar cara a cara com um caçador ou algo pior.

            A única "notícia boa" é que os magos que tanto atacaram nossos Caerns, foram resumidos a um minúsculo grupo numerável em duas mãos. Dos 10 oito estão presos em o que eles chamam de magia de sangue (dentro de uma cúpula de sangue mesmo e são drenados diariamente), dos outros dois não se tem notícias.

            Os Garou são hoje apenas uma espécie parecida com humanos e vivem escondidos da sociedade desolada e banal.

            Tribos orgulhosas como os Presas de Prata lutam lado a lado com os apáticos e avarentos Roedores de Ossos, Fianna consideram impuros como true-blood-brothers. Agora, além dos Peregrinos, outras tribos passaram a ser assombradas pelos fantasmas e erros de seus pais; Os andarilhos perderam praticamente toda a fé na humanidade.

            Nos centros, o “fator predador” que tanto incomodava os humanos (ao presenciar um Garou mesmo na forma hominídea) não faz diferença, pra não dizer que o inverso acontece; afinal não se sabe se há algum lacaio da tão natural (que até esquecida) Wyrm que pode os entregar aos Sanguessugas a qualquer momento.

            Nas florestas, o mesmo sentido de desconexão com "o verde" é extenso e consternador.

            Pequenas matilhas ou ermitões que escolheram se isolar fora das cidades praticamente sumiram, enquanto isso, os urbanos foram drenados a uma vida mais semelhante a miserável humana, marginal social e geográfica. Além da sensação de que mesmo entre os Garou, há traidores (no plural) não conexos e disfarçados.

            Perdidos e sem um objetivo especifico após o "ponto final" da história , os Garou estão a mercê de quem sempre "viveu" após o ponto final da vida: os malditos sanguessugas.

            ...e numa galeria de um metrô abandonada, no submundo de Londres é que se encontram aqueles que talvez já não sejam mais os mesmos quando começaram esta leitura.